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LIVRO | Manual de boas práticas em Organizações da Sociedade Civil

O Manual de Boas Práticas em Organizações da Sociedade Civil é fruto de uma articulação em rede construída na região Centro Oeste, envolvendo organizações da sociedade civil, e pontos focais dos estados, lançado pela FAOSC e pela Plataforma MROSC DF.

O material reúne informações importantes sobre o perfil das organizações do Centro Oeste, aspectos políticos relevantes de cada estado e avanços na implementação das leis que regulamentam o Terceiro Setor, como a Lei nº 13.019/2014, conhecida como Lei MROSC.

O manual também é um guia de articulação e incidência política, fundamental para gestores, lideranças e todos que acreditam em uma sociedade civil autônoma, transparente e colaborativa.

O matéria foi lançado no XII Encontro Nacional de Signatárias da Plataforma MROSC, que aconteceu em Brasília, nos dias 25 e 26 de março.

A Plataforma MROSC apoia as iniciativas das organizações da sociedade civil que lutam por um ambiente regulatório e um país mais democrático e igualitário.

Leia aqui o manual na íntegra.

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Texto completo (transcrição)
1 É proibida a reprodução total ou parcial da obra, de quaisquer forma ou por qualquer meio sem a autorização prévia e por escrito da Editora Cruz. A violação dos Direitos Autorais (Lei n. 610/98) é crime estabelecido pelo artigo 48 do Código Penal. DADOS INTERNACIONAIS DE CATALOGAÇÃO NA PUBLICAÇÃO (CIP) M2941m Mário Vasconcelos Filho, Sérgio de Cássio (Organizadores). Manual de boas práticas em organizações da sociedade civil : a experiência da Caravana do Terceiro Setor Centro-Oeste no desenvolvimento institucional e aprimoramento das parcerias entre a sociedade civil e a Administração Pública / Mário Vasconcelos Filho, Sérgio de Cássio (Organizadores) – Goiânia : Editora Cruz, 2026. 168 p. ; il. ; 23 cm ISBN: 978-85-69080-31-2. 1. Terceiro Setor. 2. Organização da Sociedade Civil (OSC). 3. Organização da Sociedade Civil – Manual. 4. Entidade de Interesse Social. 5. Caravana do Terceiro Setor Centro-Oeste. I. Título. II. Subtítulo. III. Vasconcelos Filho, Mário. IV. Cássio, Sérgio de.tulo. CDU: 347.191.11:35 Catalogação: Dannilo Ribeiro Garcês Bueno, Bibliotecário – CRB-1: 2162 Editora Cruz: Editor: Reginaldo Cruz. Autoria do texto: Mário Vasconcelos Filho Sérgio de Cássio (Organizadores) Revisão: Reginaldo Cruz Capa: Sophos Design Diagramação: Sophos Design Conselho Editorial Prof. Dr. Hermisten Maia Pereira da Costa Universidade Presbiteriana Mackenzie Prof. Dr. Wilson Santana Silva Universidade Presbiteriana Mackenzie Prof. Dr. José Normando Gonçalves Meira Universidade Unimontes Prof. Dr. Jeová Rodrigues dos Santos Faculdade Assembleiana do Brasil Prof. Dr. Israel Serique dos Santos Faculdade Fanap Prof. Dr. Christian Brially Tavares de Medeiros Universidade Presbiteriana Mackenzie Profa. Dra. Lázara Divina Coêlho Faculdade Assembleiana do Brasil MANUAL DE BOAS PRÁTICAS EM ORGANIZAÇÕES DA SOCIEDADE CIVIL Copyright © MÁRIO VASCONCELOS FILHO, 2026 ISBN: 978-85-69080-31-2. Copyright © Editora Cruz Todos os direitos em língua portuguesa reservados por Editora Cruz. Impresso no Brasil / Printed in Brazil SUMÁRIO Apresentação do Instituto ACP. …………………………………………………………………………….9 Apresentação da FALM. ……………………………………………………………………………………….11 Apresentação ……………………………………………………………………………………………………15 Plataforma MROSC Centro-Oeste, FAOSC e Caravana do Terceiro setor: Um compromisso com a Sociedade Civil . ………………………………………………………………………………………….. 16 O que é a Plataforma MROSC Centro-Oeste ………………………………………………………………………………………… 16 O que é a FAOSC: . ………………………………………………………………………………………………………………………………… 19 O que é a Caravana do Terceiro Setor:…………………………………………………………………………………………………. 20 A agenda MROSC …………………………………………………………………………………………………………………………………. 22 Os Conselhos de Direitos e sua importância:. ……………………………………………………………………………………… 24 Conselhos nacionais e o Fórum Interconselho:. ………………………………………………………………………………….. 25 Os Conselhos Estaduais:. …………………………………………………………………………………………………………………….. 26 Os Conselhos Municipais:…………………………………………………………………………………………………………………….. 26 Poder Executivo em cada estado: ………………………………………………………………………………………………………. 27 Perfil das Organizações da Sociedade Civil na Região Centro-Oeste . ……………………………………………………………………………………………………………………. 27 Perfil Geral das Organizações da Sociedade Civil na Região Centro-Oeste. ……………………………………………………………………………………………………………………… 28 Organizações da Sociedade Civil – Distrito Federal. …………………………………………………………………………….. 29 Organizações da Sociedade Civil – Goiás . ……………………………………………………………………………………………. 30 Organizações da Sociedade Civil – Mato Grosso . ………………………………………………………………………………… 31 Organizações da Sociedade Civil – Mato Grosso do Sul. ………………………………………………………………………. 32 Dados Sobre a economia e as OSCs no centro-oeste………………………………………………………………………….. 33 O início: construção coletiva dos encontros estaduais:………………………………………………………………………. 36 A eleição dos pontos focais da sociedade civil nos estados ………………………………………………………………. 36 Encontros estaduais presenciais e seus encaminhamentos:……………………………………………………………… 38 Encontros estaduais da sociedade civil em Mato Grosso do Sul entre os anos de 2023 – 2025………………………………………………………………………………. 39 Encaminhamentos e próximos passos: . …………………………………………………………………………………………….. 39 Encontros da sociedade civil no Distrito Federal entre os anos de 2023 – 2025. …………………………………………………………………………………………………………….. 41 Encontros estaduais da sociedade civil em Mato Grosso entre os anos de 2023 – 2025…………………………………………………………………………………………. 44 Encontros estaduais da sociedade civil em Goiás entre os anos de 2023 – 2025. …………………………………………………………………………………………………………….. 46 Pautas transversais no debate das plataformas estaduais:. ……………………………………………………………… 48 Desafios enfrentados na plataforma MROSC Centro-Oeste: . ………………………………………………………………………………………………………………………… 53 Encaminhamentos das plenárias nos encontros para região Centro-Oeste:. ………………………………………………………………………………………….. 56 Boas práticas do terceiro setor que já acontecem no Centro Oeste:…………………………….63 Formações Continuadas . …………………………………………………………………………………………………………………… 65 Encontros Estaduais e Regionais do Terceiro Setor (Caravana do Terceiro Setor) . ……………………………. 68 Definição de uma pauta de apoio ao terceiro setor . ………………………………………………………………………….. 72 Mapeamento de Políticas Públicas e Parcerias com OSCs na Implementação do MROSC ………………….. 72 Estímulo a Criação dos CONFOCOs ………………………………………………………………………………………………………. 75 Fóruns Interconselhos ………………………………………………………………………………………………………………………… 78 Utilização e alimentação do Mapa das OSCs . …………………………………………………………………………………….. 82 Articulação da sociedade civil com Outros Órgãos …………………………………………………………………………….. 84 Criação de frentes parlamentares . …………………………………………………………………………………………………….. 87 Formação de CST – (Câmara Setorial Temática) no Legislativo . …………………………………………………………. 90 Criação de um espaço de trabalho colaborativo em cada estado. ……………………………………………………… 94 Combate à criminalização burocrática das OSCs. ……………………………………………………………………………….. 98 Parceria com Universidades ……………………………………………………………………………………………………………….. 102 Federações estaduais de OSCs……………………………………………………………………………………………………………. 105 Plano de Comunicação para o Centro-Oeste ………………………………………………………………………………………. 108 Turismo de Base Comunitária . ……………………………………………………………………………………………………………. 112 Recomendações de boas práticas a serem adotadas pelas OSCs e administração pública . ……………………………………………………….119 Buscar o posicionamento do chefe do executivo estadual. ………………………………………………………………………………………………………………………… 120 Observatório regional do Terceiro Setor . ……………………………………………………………………………………………. 120 Parceria com as Defensorias Públicas. ……………………………………………………………………………………………….. 121 Parceria com Ministério Público . ………………………………………………………………………………………………………… 121 Incentivo ao trabalho voluntário. ………………………………………………………………………………………………………… 122 ODS: Plano para o avanço dos ODS na região Centro-Oeste. ………………………………………………………………………………………………………………………. 122 ANEXO I. ……………………………………………………………………………………………………………123 Saiba mais: A história da plataforma MROSC no Centro Oeste. ………………………………………………………………………………………………………………………………….. 123 De onde viemos e para onde vamos……………………………………………………………………………………………………. 124 Ações da Plataforma MROSC Centro-Oeste (2019 – 2025). …………………………………………………………………. 124 2020: Início das ações. ………………………………………………………………………………………………………………………… 126 Abaixo um resumo dos temas trabalhados na cartilha: . ……………………………………………………………………. 126 2021: Fortalecendo laços e construindo pontes no Centro-Oeste………………………………………………………………………………………………………………………. 129 2022: A força da Caravana do Terceiro Setor………………………………………………………………………………………. 130 2023: Consolidando redes e ampliando articulação regional. ……………………………………………………………………………………………………………………………. 131 2024: Aprendendo com as práticas, construindo memória coletiva…………………………………………………………………………………………………………….. 132 2025: Fortalecendo a presença regional e a articulação institucional. ……………………………………………………………………………………………………………….. 133 ANEXO II. …………………………………………………………………………………………………………..135 Saiba Mais: Os encontros nos estados, como aconteceram e detalhes da sua organização. …………………………………………………………………………………………………………… 135 Saiba mais: As articulações da plataforma MROSC em Mato Grosso do Sul………………………………………………………………………………………………………………………… 136 Saiba mais: As articulações da plataforma MROSC o Distrito Federal. ………………………………………………………………………………………………………………………………… 140 Saiba mais: As articulações da plataforma MROSC em Várzea Grande e Cuiabá – MT ………………………………………………………………………………………………………… 144 Saiba mais: Os encontros para a realização da caravana do terceiros Setor em Goiás………………………. 148 ANEXO III. ………………………………………………………………………………………………………….153 Escritores do livro . ……………………………………………………………………………………………………………………………… 153 Pontos focais do Distrito Federal. ……………………………………………………………………………………………………….. 154 Pontos focais de Mato Grosso do Sul. …………………………………………………………………………………………………. 155 Pontos focais de Goiás:. ………………………………………………………………………………………………………………………. 156 Ponto Focal de Mato Grosso:. ………………………………………………………………………………………………………………. 157 GLOSSÁRIO…………………………………………………………………………………………………………161 REFERÊNCIAS ELETRÔNICAS …………………………………………………………………………………………………………………. 163 BIBLIOGRAFIA …………………………………………………………………………………………………….165 8 APRESENTAÇÃO DO INSTITUTO ACP O Instituto ACP é uma organização de investimento social fundada em 2019 pela segunda geração de uma família empreendedora, com o propósito de potencializar o desenvolvimento institucional das Organizações da Sociedade Civil (OSCs) brasileiras. Trabalha por uma sociedade civil organizada, cada vez mais autônoma, resiliente e potente, em toda a sua diversidade, que seja vetor para um país cada vez melhor para todas as pessoas. Além de promover a doação de recursos e o apoio direto ao desenvolvimento institucional de organizações da sociedade civil brasileira, o Instituto ACP apoia iniciativas de outras organizações que compartilham desse propósito, como campanhas, eventos, cursos, negócios de impacto social, pesquisas ou plataformas. Nosso desejo, a longo prazo, é fortalecer um campo colaborativo de produção e disseminação de conhecimento sobre o desenvolvimento institucional das OSCs e promover um ecossistema pulsante de profissionais qualificados, apoiando a sociedade civil organizada nesse desenvolvimento. 9 O Manual de Boas Práticas vai ao encontro dos nossos objetivos, tanto pelo seu propósito de compartilhar aprendizados práticos quanto pela maneira como foi construído, como fruto de uma trajetória coletiva. Sua publicação permitirá que a experiência acumulada nos últimos anos com o fortalecimento institucional das Organizações da Sociedade Civil (OSCs) no Centro-Oeste ultrapasse essa região do país e alcance outros lugares e contextos. Trata-se de um instrumento potente de disseminação de conhecimento e de incidência. O Instituto ACP tem orgulho de apoiar esta publicação, reconhecendo nela uma contribuição relevante para a promoção de uma sociedade civil mais resiliente e articulada. 10 APRESENTAÇÃO DA FALM A Fundação André e Lucia Maggi (FALM) é uma organização sem fins econômicos que, desde 1997, cuida da gestão do investimento social privado da AMAGGI. Nosso compromisso é contribuir para o desenvolvimento local e humano, fortalecendo comunidades e ampliando o acesso à garantia de direitos. Atuamos ao lado de organizações da sociedade civil, movimentos sociais e coletivos, apoiando sua gestão, articulação e presença em rede. Também impulsionamos a agricultura familiar, com formações, apoio técnico e incentivo à comercialização, promovendo inclusão socioprodutiva, segurança alimentar e geração de renda nos territórios onde estamos presentes. Acreditamos na força das parcerias. Por isso, trabalhamos por meio de editais públicos e articulações estratégicas, incentivando iniciativas nas áreas de educação, saúde, cultura, assistência social, lazer e desenvolvimento rural. Onde 11 estamos, nosso foco será sempre fortalecer e promover o desenvolvimento local e/ou social dos territórios. Ao apoiar esta publicação, a Fundação André e Lucia Maggi reafirma seu compromisso com a disseminação de conhecimento e com a construção coletiva de soluções que contribuam para uma sociedade civil mais autônoma, articulada e resiliente. O manual representa não apenas um guia prático, mas também um instrumento de referência e inspiração, capaz de potencializar o trabalho de organizações em diferentes contextos e regiões do país. 12 PARTE01 APRESENTAÇÃO 13 01 14 APRESENTAÇÃO E ste Manual de Boas Práticas resulta de um amplo trabalho coletivo. A obra reúne informações essenciais sobre o perfil das OSCs do Centro-Oeste, alguns aspectos políticos relevantes de cada estado e os avanços na implementação das leis que regulamentam o Terceiro Setor, como a Lei nº 13.019/2014 (Marco Regulatório das Organizações da Sociedade Civil – MROSC), nos níveis subnacionais. A publicação também apresenta uma descrição detalhada dos encontros estaduais e regionais realizados ao longo dos anos, destacando os desafios enfrentados e os encaminhamentos construídos coletivamente. Este manual destina-se a ser um instrumento de consulta e orientação para a sociedade civil, gestores públicos, pesquisadores e todos aqueles que atuam ou se interessam pelo Terceiro Setor. Nosso objetivo é oferecer subsídios para a implementação de estratégias que ampliem a eficácia e a sustentabilidade das OSCs, promovendo um ambiente mais favorável à sua atuação e ao exercício da cidadania. Acreditamos que, ao compartilhar essas experiências e conhecimentos, contribuímos para o fortalecimento da Sociedade Civil, incentivando a colaboração, a inovação e a defesa de direitos. Que este manual inspire novas ações, fortaleça redes de 15 cooperação e ajude a construir um futuro mais justo e participativo para todos, tanto regionalmente quanto nacionalmente. Convidamos você a explorar este manual, apropriar-se de suas reflexões e utilizá-lo como ferramenta diária para o fortalecimento do ecossistema do terceiro setor. Juntos, vamos fortalecer a Sociedade Civil e construir um futuro mais inclusivo e participativo na região Centro-Oeste! PLATAFORMA MROSC CENTRO-OESTE, FAOSC E CARAVANA DO TERCEIRO SETOR: UM COMPROMISSO COM A SOCIEDADE CIVIL Esta publicação é fruto das ações conjuntas da Plataforma MROSC Centro-Oeste e da FAOSC na realização da Caravana do Terceiro Setor, resultado de uma caminhada coletiva que articula organizações da sociedade civil, conselhos de direitos, universidades, instâncias de controle social, gestores públicos e lideranças comunitárias em prol do fortalecimento do ambiente de atuação das OSCs. Por meio dessa união, foi possível sistematizar experiências, práticas e aprendizados que expressam o compromisso com a gestão democrática, a transparência e a construção de políticas públicas mais inclusivas e sustentáveis. O QUE É A PLATAFORMA MROSC CENTRO-OESTE A Plataforma MROSC nasceu a partir de um longo processo histórico. Desde o início dos anos 2000, diversos segmentos da sociedade civil brasileira — movimentos sociais, entidades religiosas, OSCs, institutos e fundações — vinham se mobilizando para qualificar o ambiente legal e institucional das organizações sem fins lucrativos. Em 2009, diante de uma série de CPIs que criminalizavam genericamente as ONGs e aproveitando o momento político da campanha presidencial, esse coletivo 16 lançou a “Plataforma por um Novo Marco Regulatório para as Organizações da Sociedade Civil”. Em 2010, essa proposta foi levada aos candidatos à Presidência da República, com o objetivo de pautar compromissos e aprimorar a relação entre Estado e sociedade civil. Inspirados por essa história e cientes da importância do tema, foi construída a Plataforma MROSC no Centro-Oeste de forma participativa, envolvendo representantes de OSCs, lideranças locais e a partir da compreensão das particularidades de cada estado. O foco da Plataforma é o fortalecimento das OSCs e a criação de um ambiente mais democrático, transparente e eficiente para as parcerias com o poder público e demais atores da sociedade. Ao longo dessa jornada, foram levadas para o centro do debate pautas fundamentais para o fortalecimento das organizações da sociedade civil, como: • A criação de mecanismos efetivos de participação cidadã na formulação, implementação, controle social e avaliação de políticas públicas; • A garantia de instrumentos legais que assegurem essa participação em diferentes instâncias; • O estímulo ao engajamento da sociedade nas causas públicas, criando um ambiente favorável à autonomia e ao fortalecimento das OSCs; • A promoção de um acesso mais democrático aos recursos públicos, com menos burocracia e mais eficiência; • A defesa de um regime tributário mais justo para o terceiro setor, com incentivos fiscais para doações de pessoas físicas e jurídicas. 17 Hoje, a Plataforma MROSC Centro-Oeste é uma realidade viva, composta por redes, fóruns, federações e organizações do Distrito Federal, Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. Ela atua como um espaço de formação, mobilização e incidência política. A Plataforma também dialoga com os poderes públicos, com ações de incidência política, para incentivar a regulamentação da Lei 13.019/2014, apoiando a elaboração de decretos e normativas, e investindo na produção e difusão de conhecimento. Um exemplo disso é este Manual, que foi construído com base nas experiências das caravanas. Ele reúne orientações práticas, dados, relatos e estratégias que servirão como ferramenta para gestores públicos, conselheiros, lideranças sociais e demais interessados no tema. Nós da Plataforma MROSC Centro-Oeste e da FAOSC lutamos por uma política pública que reconheça e fomente a participação cidadã por meio de organizações autônomas, comprometidas com a boa gestão, a transparência e o interesse público. Ao longo dos últimos anos, seguimos nos articulando com redes, fóruns, federações e organizações do Distrito Federal, Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. Realizamos encontros virtuais, formações e ações de mobilização. Participamos ativamente da Caravana do Terceiro Setor, firmando parcerias com organizações, que se tornaram signatárias da plataforma e passaram a integrar nossas ações coletivas. Saiba mais: Para saber mais sobre a plataforma MROSC Centro-Oeste temos um texto no final do livro com um breve histórico de sua atuação no Centro Oeste nos últimos anos. 18 O QUE É A FAOSC: Lançamento da FAOSC – Auditório da UDF – Brasília-DF agosto de 2024 A Federação das Organizações da Sociedade Civil do Distrito Federal e Entorno – FAOSC nasceu da necessidade de fortalecer, unir e dar voz às diversas entidades sociais que atuam no DF e na região do Entorno. Criada a partir da articulação de lideranças do terceiro setor, a FAOSC se consolidou como um espaço de diálogo e cooperação entre organizações que desenvolvem trabalhos fundamentais em áreas como assistência social, cultura, educação, saúde, meio ambiente e direitos humanos. Ao longo de sua trajetória, a FAOSC tem se dedicado à formação, mobilização e apoio institucional às OSCs, promovendo eventos, palestras, oficinas e processos de capacitação voltados para a gestão, a sustentabilidade e o acesso a políticas públicas. Sua atuação também se destaca no diálogo permanente com o poder público e com redes nacionais, buscando garantir melhores condições para o funcionamento das organizações e 19 para o fortalecimento do Marco Regulatório das Organizações da Sociedade Civil (MROSC). Mais do que uma entidade representativa, a FAOSC é hoje um ponto de referência para centenas de organizações, contribuindo para a construção de um terceiro setor mais forte, articulado e capaz de transformar realidades. Sua história é marcada por conquistas coletivas e pela crença de que, quando as organizações trabalham juntas, o impacto social é potencializado, levando esperança e oportunidades para milhares de pessoas em todo o Distrito Federal e entorno. Foi por meio da FAOSC, enquanto organização legalmente constituída, que se tornou possível estabelecer parcerias estratégicas para a realização das Caravanas do Terceiro Setor, viabilizando a captação de recursos por meio de sua representação jurídica. Dessa forma, a Federação atuou como ponte para diversas organizações, possibilitando não apenas a execução das caravanas, mas também o desenvolvimento de outras ações coletivas que fortaleceram o terceiro setor no Distrito Federal e entorno. O QUE É A CARAVANA DO TERCEIRO SETOR: 20 Aletea FALM – Encontro da caravana do Terceiro Setor em Cuiabá-MT março de 2025. A Caravana do Terceiro Setor se consolidou como um dos maiores marcos no fortalecimento institucional e na incidência política em favor da sociedade civil organizada no CentroOeste. Ao percorrer diferentes estados, a iniciativa promove capacitações, seminários, oficinas e rodas de conversa, levando informação de qualidade sobre o Marco Regulatório das Organizações da Sociedade Civil (MROSC), gestão, governança e sustentabilidade. A proposta é democratizar o acesso ao conhecimento e criar um ambiente de troca que estimule as OSCs a aprimorarem sua atuação e a conquistarem mais legitimidade e espaço na relação com a administração pública. Esses encontros proporcionaram um processo de articulação entre atores locais e estaduais, gerando um mapeamento consistente das realidades regionais e dos principais desafios enfrentados pelas organizações. Ao reunir lideranças, gestores e representantes das OSCs, a Caravana possibilitou a construção de redes colaborativas, nas quais experiências foram compartilhadas e soluções conjuntas elaboradas. Esse movimento foi essencial para que boas práticas pudessem ser sistematizadas e difundidas, tornando-se exemplos para outras organizações em todo o país. Ao longo do percurso, a Caravana evidenciou que o fortalecimento das OSCs depende não apenas da capacitação técnica, mas também da valorização da diversidade de contextos e realidades vividas em cada território. Assim, práticas bemsucedidas de gestão, captação de recursos, inovação social e engajamento comunitário foram reunidas e disseminadas como instrumentos para promover impacto social de forma 21 mais estruturada e duradoura. Com isso, a iniciativa contribuiu diretamente para a criação de um ambiente mais favorável à atuação das organizações, ampliando sua capacidade de intervenção e de transformação social. Mais do que uma ação pontual, a Caravana do Terceiro Setor representa um movimento contínuo de aprendizagem coletiva e incidência política, que reforça a importância da união entre sociedade civil e poder público. Ao articular experiências concretas, estimular reflexões e impulsionar práticas inovadoras, ela se tornou uma referência nacional para o desenvolvimento local e sustentável. Sua trajetória comprova que quando as organizações trabalham de forma colaborativa, compartilham saberes e constroem agendas comuns, conseguem não apenas superar desafios, mas também transformar realidades sociais de maneira significativa. A AGENDA MROSC A Agenda MROSC (Marco Regulatório das Organizações da Sociedade Civil) tem como objetivo aprimorar as regras e estruturas que regulam tanto a atuação das organizações da sociedade civil (OSCs) quanto a parceria delas com o Estado. Essa agenda reúne diversos temas. Um dos mais conhecidos é a Lei nº 13.019/2014, que trouxe avanços importantes para tornar mais claras e transparentes as formas de colaboração entre OSCs e o poder público. Mas a Agenda MROSC não se resume apenas a essa lei: ela abrange um conjunto mais amplo de propostas e melhorias. Entre as prioridades está a criação dos Conselhos de Fomento e de Colaboração (CONFOCO) nos diferentes entes federados (União, Estados, Municípios e Distrito Federal). No 22 Brasil, apesar de ser previsto na lei 13.019/14 no artigo 15º, ainda temos poucos conselhos de Fomento e Colaboração. Em 2023, o governo federal instituiu por decreto o CONFOCO nacional, um importante passo para a instituição dos CONFOCOs estaduais e municipais. Esses conselhos têm um papel fundamental: • Reunir governo e sociedade civil em um espaço de diálogo permanente; • Acompanhar e avaliar as políticas públicas relacionadas às OSCs; • Propor melhorias para fortalecer a parceria entre Estado e sociedade civil; • Dar mais transparência e controle social sobre o uso dos recursos públicos destinados às organizações. Outros temas importantes abordados neste conjunto de pautas são: a ampliação dos incentivos fiscais; a aplicabilidade do Imposto de Transmissão Causa Mortis e Doação (ITCMD); e o combate à criminalização burocrática. A Agenda MROSC também defende o estreitamento das relações das OCS’s com as instâncias criadas pela administração pública (por exemplo: frentes parlamentares, câmaras setoriais temáticas, grupos de trabalhos e secretarias setoriais). A retomada da Política Nacional de Participação Social e da Política Nacional de Fomento e Colaboração; a extinção do Sistema de Utilidade Pública das OSC’s (e consequente criação de uma certificação própria gerida pela sociedade civil); o acesso ao atendimento jurídico às OSC’s (alteração da missão da Defensoria Pública); a criação de um fundo para desenvolvimento institucional das OSCs; e a qualificação dos 23 parâmetros de aplicação da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) às organizações, também são temas que estão sob o mesmo arco de reivindicações e agendas. OS CONSELHOS DE DIREITOS E SUA IMPORTÂNCIA: Os conselhos de direitos desempenham um papel estratégico para o fortalecimento do Terceiro Setor, especialmente quando articulam suas deliberações às boas práticas de utilização do MROSC (Marco Regulatório das Organizações da Sociedade Civil). Esses espaços de participação social permitem maior transparência e controle democrático na formulação e acompanhamento de políticas públicas, assegurando que parcerias com OSCs sejam construídas de forma ética e eficiente. Nos últimos anos, têm ganhado destaque discussões dentro de diversos conselhos sobre a aplicação prática do MROSC, com a identificação de experiências que já vêm sendo mapeadas como boas práticas em estados e municípios — como a criação de manuais simplificados, capacitação de conselheiros e gestores públicos. Esses avanços mostram que os conselhos, quando fortalecidos e alinhados ao MROSC, tornam-se aliados fundamentais para garantir a efetividade das parcerias e a promoção de um ambiente mais favorável ao desenvolvimento social. Alguns exemplos de legislação ordinária que dispõe sobre conselhos de políticas, de segmentos e temáticos como a Lei Federal no 8.069, de 13 de julho de 1990, que dispõe sobre o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), em seu artigo 88, inciso II, torna obrigatória a existência de conselhos dos direitos da criança e do adolescente em todos os níveis da Federação, destacando-se o caráter deliberativo e controlador das ações, assegurada a participação paritária. 24 Os conselhos de direitos, independentemente do nível de atuação – nacional, estadual ou municipal – são espaços nos quais o governo e a sociedade devem discutir, formular e decidir, de forma compartilhada e corresponsável, as diretrizes para as políticas públicas de promoção e defesa dos direitos. Conselhos não são, portanto, executores de políticas, são formuladores, promotores de políticas, defensores de direitos, controladores das ações públicas governamentais e não governamentais, normatizadores de parâmetros e definidores de diretrizes das políticas na perspectiva da garantia dos direitos humanos, sociais e políticos. CONSELHOS NACIONAIS E O FÓRUM INTERCONSELHO: Os conselhos nacionais têm uma função essencial na consolidação da democracia participativa no Brasil, atuando como espaços legítimos de deliberação, monitoramento e proposição de políticas públicas. Eles permitem que representantes da sociedade civil e do poder público dialoguem e construam coletivamente estratégias para enfrentar desafios sociais, assegurando que diferentes vozes sejam ouvidas. Nesse processo, o Fórum Interconselhos surge como um espaço ampliado de articulação, reunindo conselhos de diferentes áreas para promover a transversalidade das políticas, fortalecer a participação social e ampliar a incidência das organizações da sociedade civil na agenda nacional. O envolvimento desses espaços com o Marco Regulatório das Organizações da Sociedade Civil (MROSC) tem sido um passo fundamental para consolidar boas práticas de gestão pública e parcerias mais transparentes e eficazes com o Terceiro Setor. A integração do MROSC às pautas dos conselhos nacionais 25 e do Fórum Interconselhos favorece a construção de diretrizes, facilita a capacitação de conselheiros e gestores e contribui para o aprimoramento do controle social. Assim, esses espaços tornam-se protagonistas na difusão e fortalecimento do MROSC, ampliando a capacidade das OSCs de atuarem de maneira estratégica e sustentável no desenvolvimento do país. OS CONSELHOS ESTADUAIS: A maioria dos conselhos estaduais dos direitos existentes no País foi criada nos anos 1990, tendo como característica principal a participação expressiva da sociedade civil e a independência perante o Poder Executivo de seus respectivos Estados. A criação desses conselhos inspirou-se nos princípios da participação e descentralização, estabelecidos na “Constituição Cidadã” de 1988, em cujos dispositivos estão previstos a participação da cidadania (representação da sociedade) na gestão e fiscalização da “coisa pública”. Criados por leis estaduais, estão vinculados administrativamente às Secretarias de Estado das respectivas áreas temáticas ou de direitos e não devem estar sujeitos a nenhuma subordinação hierárquica. Deliberam sobre questões no âmbito da política estadual e suas decisões devem ser parâmetros tanto para os órgãos estaduais, quanto para os municípios. OS CONSELHOS MUNICIPAIS: A criação de um conselho municipal dos direitos é uma medida voltada para garantir uma esfera pública com representantes da comunidade local e dos órgãos governamentais, para monitorar o impacto das políticas públicas na proteção e efetivação dos 26 direitos da pessoa humana, e, também, para investigar as violações de direitos no território municipal. O conselho deve ser criado por lei municipal e, para o exercício de suas atribuições, não pode ficar sujeito a qualquer subordinação hierárquica. Deliberam sobre questões no âmbito da política municipal e suas decisões devem ser parâmetros para os órgãos municipais e para a execução das ações públicas governamentais e não governamentais. PODER EXECUTIVO EM CADA ESTADO: Para o desenvolvimento de ações nos estados e municípios, realizando o controle social em relação às políticas públicas, um dos passos estratégicos em direção ao alcance dos objetivos estabelecidos é o posicionamento do chefe do executivo estadual. Dessa forma, compromissos assumidos pelos governadores podem ser adotados por prefeitos e favorecer uma atuação estadual que seja parceira do terceiro setor. PERFIL DAS ORGANIZAÇÕES DA SOCIEDADE CIVIL NA REGIÃO CENTRO-OESTE Estudo e Análise de Dados a partir do Mapa das Organizações da Sociedade Civil, Ipea Zeca Teodoro, outubro de 2025 Nota Metodológica: A identificação de OSCs no Mapa utiliza o universo de CNPJs (Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica) ativos no país e que são disponibilizados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (SRFB). A extração de informações para atualização do Mapa é realizada a cada dois anos e, na versão 3.0 (implantada em junho de 2021), trata da base de CNPJ, 27 mês de referência novembro de 2020. Na versão mais recente, são utilizados dados de 2025, conforme abaixo: Data de coleta: 15/06/2025 Envio ao portal: 30/07/2025 Previsão da próxima base: 31/10/2025 Fonte quantidade OSCs: CNPJ/SRF/MF/2025_01, CNPJ/ SRF/MF/2024_01, CNPJ/SRF/MF/2023_01, CNPJ/SRF/ MF/2025_04, RAIS/MTE, Fonte quantidade trabalhadores: CNPJ/SRF/MF/2023_01, CNPJ/SRF/MF/2024_01, CNPJ/SRF/MF/2025_01, CNPJ/SRF/ MF/2025_04, RAIS/MTE, RAIS/MTE 2015, RAIS/MTE 2017, RAIS/MTE 2019, RAIS/MTE 2020, RAIS/MTE 2021, RAIS/MTE 2023, Representante de OSC, Fonte valores de recursos: Representante de OSC, SIGABR 12/2018, Fonte quantidade projetos: FINEP/FNDCT 2017, SALICWEB/MINC 06/2018, Representante de OSC, SALICWEB/MINC, FINEP/FNDCT, SICONV/MPOG 17-072025, SALICWEB/MINC 03/2018, LIE/MESP 2017. Fonte: Mapa das OSC – Base de Dados PERFIL GERAL DAS ORGANIZAÇÕES DA SOCIEDADE CIVIL NA REGIÃO CENTRO-OESTE O Centro-Oeste do Brasil destaca-se como uma região de grande relevância para o Terceiro Setor, abrigando um número expressivo de organizações da sociedade civil (OSCs) e movimentos sociais que desempenham um papel fundamental no desenvolvimento social, econômico e ambiental da região. Abaixo, apresentamos uma análise dos principais dados e características de cada estado: Mato Grosso, Goiás, Mato Grosso do Sul e Distrito Federal. 28 CENTRO-OESTE (2025) Quantidade OSCs: 80.174 OSCs Ativas: 56.860 OSCs Suspensas: 479 OSCs inaptas: 22.990 Quantidade Trabalhadores: 95.747 Transferências federais: R$ 22.951.403.618,00 Quantidade Projetos: 5.862 ORGANIZAÇÕES DA SOCIEDADE CIVIL – DISTRITO FEDERAL O Distrito Federal, apesar de sua dimensão reduzida em território, é uma região de grande concentração de OSCs, com 19.541 organizações registradas. As OSCs no DF desempenham um papel fundamental na promoção dos direitos humanos, na educação, na cultura e no desenvolvimento urbano sustentável. Além disso, o Distrito Federal se destaca como um centro de articulação política e mobilização social, abrigando diversas entidades de âmbito nacional e internacional. Organizações da Sociedade Civil – Por Natureza Distrito Federal Quantidade Natureza Jurídica de OSCs DF Associação Privada 15.773 Fundação Privada 263 Organização Religiosa 3.443 Organização Social 62 TOTAL DE OSCs DF 19.541 Fontes: CNPJ/SRF/MF/2025_01, CNPJ/SRF/ MF/2024_01, CNPJ/SRF/MF/2023_01, CNPJ/SRF/ MF/2025_04, RAIS/MTE, 29 ORGANIZAÇÕES DA SOCIEDADE CIVIL – GOIÁS Goiás se destaca pelo forte engajamento das OSCs em áreas como assistência social, cultura, esporte e desenvolvimento comunitário. Com 29.926 OSCs, Goiás é um polo de atividades do Terceiro Setor na região, contribuindo significativamente para a melhoria da qualidade de vida da população. As OSCs goianas desempenham um papel crucial na promoção da inclusão social, no combate à pobreza e na promoção da cidadania, atuando em parceria com o poder público e a iniciativa privada. Organizações da Sociedade Civil – Por Natureza – Goiás Natureza Jurídica Associação Privada Quantidade de OSCs GO 21.337 Fundação Privada 504 Organização Religiosa 7.969 Organização Social 116 TOTAL DE OSCs GO 29.926 Fontes: CNPJ/SRF/MF/2025_01, CNPJ/ SRF/MF/2024_01, CNPJ/SRF/MF/2023_01, CNPJ/SRF/MF/2025_04, RAIS/MTE, ORGANIZAÇÕES DA SOCIEDADE CIVIL – MATO GROSSO Mato Grosso possui um cenário diversificado de organizações sem fins lucrativos, englobando desde iniciativas voltadas para a preservação ambiental até projetos sociais nas áreas de educação e saúde. De acordo com dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), Mato Grosso conta com 16.180 OSCs 30 registradas, a terceira maior quantidade da região Centro-Oeste. A importância das OSCs em Mato Grosso é evidenciada pelo seu papel na promoção da sustentabilidade ambiental, na proteção dos recursos naturais e no apoio às comunidades locais, especialmente aos indígenas. Organizações da Sociedade Civil – Por Natureza – Mato Grosso Natureza Jurídica Associação Privada Quantidade de OSCs MT 13.484 Fundação Privada 211 Organização Religiosa 2.944 Organização Social 41 TOTAL DE OSCs MT 16.680 Fontes: CNPJ/SRF/MF/2025_01, CNPJ/SRF/ MF/2024_01, CNPJ/SRF/MF/2023_01, CNPJ/ SRF/MF/2025_04, RAIS/MTE ORGANIZAÇÕES DA SOCIEDADE CIVIL – MATO GROSSO DO SUL Mato Grosso do Sul conta com 14.027 OSCs registradas, que desempenham um papel relevante na proteção dos direitos humanos, no desenvolvimento rural e na preservação do patrimônio cultural. As OSCs Sul-mato-grossenses têm se destacado por suas iniciativas inovadoras em áreas como saúde indígena, inclusão digital e geração de renda para comunidades tradicionais. O estado possui um potencial significativo para o 31 fortalecimento do Terceiro Setor, especialmente em regiões de fronteira e áreas de preservação ambiental. Organizações da Sociedade Civil – Por Natureza Mato Grosso do Sul Natureza Jurídica Associação Privada Quantidade OSCs MS 10.405 Fundação Privada 188 Organização Religiosa 3.389 Organização Social 45 TOTAL DE OSCs MS 14.027 de Fontes: CNPJ/SRF/MF/2025_01, CNPJ/SRF/ MF/2024_01, CNPJ/SRF/MF/2023_01, CNPJ/ SRF/MF/2025_04, RAIS/MTE Tudo somado, o Terceiro Setor no Centro-Oeste apresenta números expressivos, refletindo a importância das OSCs para o desenvolvimento regional. Com seu engajamento em diversas áreas de atuação e seu potencial para promover mudanças positivas, as organizações da sociedade civil na região desempenham um papel fundamental na construção de uma sociedade mais justa e inclusiva. DADOS SOBRE A ECONOMIA E AS OSCS NO CENTRO-OESTE Mas além das tradicionais atividades e papéis desempenhados pelas OSC’s, o recente estudo sobre “A importância do terceiro setor para o PIB do Brasil”[1] coordenado pela SITAWI 32 e FIPE apresenta relevantes informações sobre as dimensões do papel econômico desempenhado pelo setor. Partindo do exame das “Contas Nacionais” examina as relações econômicas e financeiras entre o 3º Setor e os alguns indicadores chave da economia nacional e explora também informações regionais. Apresenta dados sobre situação atual para em seguida partir de uma hipótese sobre o que aconteceria no país caso o terceiro setor (e todas suas conexões econômicas e financeiras com os demais setores da economia) deixasse de existir e estimassem o impacto das perdas para a sociedade seriam. A tabela a seguir resume alguns destes indicadores: Estados e Região Valor Produzido (bilhões) PIB (bilhões) % do PIB do Estado Empregos (mil) % do Emprego Total MT MS GO DF Centro-Oeste 3,5 6,3 9,3 20,4 1,8 3,4 4,8 11,3 1,7 4,3 2,9 3,9 43,5 90,8 150,1 171,7 3,8 10,7 7,2 12,0 39,5 31,3 3,1 456,1 8,3 O percentual do PIB é expressivo, destacando-se que, entre dezenas de setores econômicos, perde somente para o setor da indústria de transformação (total), comércio, administração pública e serviços administrativos. E, em relação à indústria, o segmento de OSC é maior que o dos vários ramos da indústria de transformação, incluindo a construção civil. Este número de empregados remunerados aos padrões usuais de pagamento das OSC (3 SM/mês) geram uma despesa global de R$ 27 bilhões em salários (média anual de 59.200/ empregado). Para comparação, os Estados da região despenderam 33 em 2024, R$ 85,2 bilhões em remunerações de 725.500 servidores públicos (ou R$ 117,8 mil/servidor/ano). Além do emprego formal devemos incluir a existência de 599.000 voluntários que trabalham em média 6,6Hs/semana PNAD-c); esta dedicação equivale a existência de 117.674[2] trabalhadores a tempo completo que se fossem remunerados exigiram R$ 6,9 bilhões de receita adicional das entidades. Pesquisas amostrais sugerem que cada voluntário gasta cerca de R$ 1.000/ano no exercício do voluntariado, o que ampliaria sua contribuição em quase R$ 600 milhões adicionais. Assim, no total, voluntários do centro-oeste ofertam gratuitamente cerca de R$7,5 bilhões anualmente, o que equivale a 4,5% do orçamento dos estados que alcançaram a quantia global de 164,6 bi em 2024. Em base aos dados deste estudo e das Contas Nacionais (IBGE), é razoável admitir que as OSC, além de contribuir com a consolidação da democracia, com o controle social e execução de algumas políticas públicas ofereceram, em 2023, serviços e benefícios diretos às famílias estimados em R$26,5 bilhões que, somados ao valor estimado para o voluntariado (R$ 7,6 bilhões) alcança R$ 34 bilhões em serviços às famílias [3]. Sob qualquer critério objetivo, é evidente a importância das OSC para a sociedade brasileira e do centro-oeste. Este reconhecimento merece ser disseminado por todas as entidades que muitas vezes se percebem pequenas e isoladas, quando de fato fazem parte de uma grande comunidade de organizações solidárias e voltadas a atender as demandas de famílias e da sociedade em geral. Mas o desconhecimento destas informações é particularmente grave no caso de atores e gestores públicos e 34 mesmo do setor privado interessado e aliado de OSC em causas públicas. A disseminação deste tipo de informação é importante para facilitar o diálogo intersetorial e para as ações de incidência sobre as instituições estatais, empresas e a cidadania. [1][1] Ver: https://sitawi.net/wp-content/uploads/2023/04/ miolo_terceirosetor-resumo-web2403.pdf?utm_campaign=comm_ institucional_estudo_pib_automacao&utm_medium=email&utm_ source=RD+Station. [2] Corresponde a 16% do total de empregados na administração pública dos estados. [3] Para facilitar comparação, estimativa (do autor) com base a inscritos no CADUNICO para o Programa Bolsa Família (2025) indica que serão gastos cerca de R$ 24,1 bilhões na região. O INÍCIO: CONSTRUÇÃO COLETIVA DOS ENCONTROS ESTADUAIS: As organizações signatárias da Plataforma MROSC do Centro Oeste se organizam por estados para a articulação da rede MROSC Centro Oeste com a composição das plataformas estaduais e suas respectivas pautas de atuação por estado tendo apontamentos feitos por estados, buscando o desenvolvimento institucional e melhoria do ambiente das parcerias entre a sociedade civil e a administração pública na Região. Para viabilizar estas propostas estaduais, as organizações da Plataforma MROSC Centro-Oeste se organizam nos estados para a criação de grupos de trabalho para o diálogo com o poder executivo, parlamento e outros parceiros visando promover amplo diálogo a fim de construir um ambiente favorável ao fortalecimento da sociedade civil organizada e da democracia participativa. 35 A ELEIÇÃO DOS PONTOS FOCAIS DA SOCIEDADE CIVIL NOS ESTADOS Membros do comitê facilitador Centro Oeste com consultores – Goiânia maio de 2025 A identificação e eleição de pelo menos uma pessoa como ponto focal em cada estado da região Centro-Oeste é uma iniciativa fundamental para garantir a representatividade e a eficiência da capilaridade das ações voltadas ao fortalecimento do Terceiro Setor. Essa proposta atende à necessidade de descentralização das políticas públicas e de maior articulação entre as OSCs, o poder público e outras atrizes e atores sociais relevantes. A região Centro-Oeste, com suas particularidades socioeconômicas e culturais, se beneficia significativamente dessa abordagem de articulação descentralizada. As pessoas que atuam como pontos focais estaduais têm a responsabilidade de liderar as ações e articular com as OSCs 36 locais, atuando como um elo entre as organizações e os demais atores do ecossistema. Essa figura é essencial para garantir que as demandas locais sejam ouvidas e que as iniciativas sejam alinhadas às necessidades das comunidades. A presença de ponto focal em cada estado também facilita a realização de reuniões periódicas, tanto na esfera estadual quanto na regional, promovendo a integração e o alinhamento das iniciativas. Esses encontros são espaços estratégicos para a troca de experiências, a construção permanente de parcerias e a definição de prioridades coletivas. A identificação de pessoas que possam atuar como pontos focais contribui para a descentralização das decisões, permitindo que as particularidades de cada estado sejam sempre levadas em conta e adaptadas para considerações subnacionais. Essa estratégia é alinhada ao princípio da subsidiariedade, que defende que as decisões devem ser tomadas no nível mais próximo possível dos cidadãos afetados. No contexto brasileiro, no qual as desigualdades regionais são significativas, a descentralização é um caminho maduro para garantir que as políticas públicas e as iniciativas do Terceiro Setor sejam mais inclusivas, efetivas, eficientes e eficazes. Portanto, a implementação de pontos focais na região Centro-Oeste representa um avanço importante para o fortalecimento do Terceiro Setor e a promoção do desenvolvimento regional. ENCONTROS ESTADUAIS PRESENCIAIS E SEUS ENCAMINHAMENTOS: Este capítulo apresenta um breve relato dos encaminhamentos realizados nos encontros estaduais da Caravana do Terceiro Setor, realizados na região Centro-Oeste, promovidos de forma presencial entre os anos de 2023 e 2025, separados por estado, compreendendo suas particularidades e momento de implementação da agenda MROSC. Os encontros representam importantes momentos de escuta, diálogo e articulação entre diferentes atores do campo social, 37 organizações da sociedade civil, gestores públicos, universidades, conselhos e redes parceiras. Ao longo desse período, foi possível aprofundar o debate sobre o desenvolvimento institucional do terceiro setor, bem como identificar desafios, avanços e oportunidades de cooperação em cada território visitado. Os encaminhamentos resultantes desses encontros refletem o nível de maturidade e de entendimento coletivo alcançado pelos participantes nesse processo de construção conjunta. Cada etapa da Caravana contribuiu para fortalecer a articulação regional, ampliar o conhecimento sobre o Marco Regulatório das Organizações da Sociedade Civil (MROSC) e consolidar estratégias de integração entre sociedade civil e poder público, com vistas à promoção de um ambiente mais favorável à atuação das organizações. ENCONTROS ESTADUAIS DA SOCIEDADE CIVIL EM MATO GROSSO DO SUL ENTRE OS ANOS DE 2023 – 2025 Ponto focal: Carla Rodrigues / Mônica Barbosa Macedo Encontro da caravana do terceiro setor em Campo Grande-MS março de 2025 38 ENCAMINHAMENTOS E PRÓXIMOS PASSOS: Ao longo dos encontros realizados no Mato Grosso do Sul, compreendeu-se que era hora de transformar ideias em ações concretas. Um dos encaminhamentos mais significativos foi o reconhecimento da importância de fomentar a criação de uma Frente Parlamentar Estadual dedicada ao Terceiro Setor. Para eles, essa frente não seria apenas um espaço político, mas uma ponte entre governo e sociedade civil, capaz de articular, propor e defender iniciativas voltadas ao fortalecimento das organizações da sociedade civil em todo o estado. Outra proposta que ganhou força entre os participantes foi a criação do Conselho de Fomento e Colaboração do Mato Grosso do Sul (CONFOCO/MS). É sabido que, para consolidar esse espaço de diálogo e controle social, é preciso articular com diferentes esferas de governo, buscando viabilidade jurídica para sua criação, seja por meio de decreto estadual ou de uma lei específica. Essa articulação requer um esforço conjunto, e representa um passo decisivo para institucionalizar a participação da sociedade civil nas políticas públicas estaduais e municipais. Entendendo os desafios enfrentados por muitas organizações em sua estrutura interna, eles também assumiram o compromisso de trabalhar pelo fortalecimento institucional das OSCs do estado. Sabe-se que muitas dessas organizações atuam com dedicação e impacto nas comunidades, mas carecem de apoio técnico, formação continuada e acesso a recursos. Fortalecê-las significa garantir sua permanência e efetividade no território sul-mato-grossense. Foi reforçada a importância de se aproximarem de parceiros estratégicos como o Ministério Público, a Ordem dos Advogados 39 do Brasil (OAB) e o Conselho Regional de Contabilidade (CRC). Essa aproximação não se trata apenas de buscar apoio, mas de construir alianças sólidas em defesa dos interesses da sociedade civil. Com o apoio dessas instituições, é possível enfrentar com mais segurança os desafios jurídicos, contábeis e institucionais que muitas OSCs ainda enfrentam no dia a dia. O resultado dos encontros é uma lista clara de compromissos e um sentimento coletivo de que, com articulação, escuta mútua e vontade política, é possível construir um ambiente mais justo e colaborativo para o Terceiro Setor no Mato Grosso do Sul. ENCONTROS DA SOCIEDADE CIVIL NO DISTRITO FEDERAL ENTRE OS ANOS DE 2023 – 2025 Ponto focal: Sérgio de Cássio / Mário Vasconcelos Encontro Brasília – Auditório do Palácio do Planalto – 18 de junho de 2025 40

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